Reconstruindo o golo "perdido" de Pelé

15 Jul, 2026

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Utilizámos a tecnologia do Google DeepMind para reconstruir um pedaço perdido da história do futebol e contar a história de como tudo ganhou vida.


Gabe Ferreira

Google Creative Lead

Anita Lucchesi

Brazilian Historian, UERJ & Arka


No dia 2 de agosto de 1959, Pelé marcou o golo mais bonito da sua carreira: três "chapéus" consecutivos sobre os defesas e o guarda-redes, sem que a bola tocasse uma única vez no chão. No entanto, o momento nunca foi filmado.

Durante mais de 60 anos, o lendário "Gol da Rua Javari" viveu nas memórias dos adeptos que lá estiveram. Agora, em colaboração com a família de Pelé, historiadores, jornalistas desportivos e lendas do futebol, usámos a tecnologia do Google DeepMind para reconstruir este pedaço da história do futebol. O projecto foi criado em plena parceria com a Pelé Brand, gestora oficial do seu legado e preservado pela NR Sports.

A reconstrução do "Gol da Rua Javari" é apresentada como um minidocumentário que inclui entrevistas com os historiadores, jornalistas, a família de Pelé, testemunhas oculares e lendas do futebol com quem trabalhámos para contar a história de um momento incrível na história do futebol.

“Ele ficaria tão orgulhoso de ver tudo isto acontecer. Dizia sempre que era uma pena o golo nunca ter sido gravado. Por isso, poder revivê-lo, com toda esta tecnologia, é incrível.» — Flávia Kurtz, filha de Pelé

Fotografia de Pelé quando criança e sua filha, já mais velha.

A reconstrução de uma lenda

Para garantir o máximo rigor histórico, a historiadora brasileira Anita Lucchesi e a sua equipa reuniram cerca de 2000 registos históricos — desde plantas do estádio a álbuns de família. Entrevistaram testemunhas oculares, jornalistas e a comunidade da Mooca, recorrendo a uma maquete do estádio, fotografias de arquivo e diagramas para ajudar quem viu o golo a reconstruí-lo a partir da memória.

Fotografia histórica do "Golo da Rua Javari", tirada a 2 de agosto de 1959

Fotografia histórica do "Golo da Rua Javari", tirada a 2 de agosto de 1959

Do relvado aos píxeis

Recriar este golo exigiu uma combinação de filmagens reais e dos nossos modelos de IA mais avançados: Veo, Gemini Omni e Nano Banana Pro.

Primeiro, a nossa equipa filmou imagens reais diretamente no relvado do estádio da Rua Javari, utilizando bolas de couro pesadas e equipamentos da época. Esta base física foi depois introduzida nos nossos modelos para dar início à transformação digital. Concentrámo-nos em três experiências técnicas fundamentais:

  • Substituição de personagens: mapeamento preciso da fisionomia de Pelé e do seu icónico equipamento número 10 sobre um duplo contemporâneo.
  • Estilização do ambiente: transformar o estádio atual para recriar o céu nublado e a arquitetura daquele dia específico.
  • Geração de ambiente: Recriação imersiva da atmosfera da época, capturando a reação dos adeptos no estádio e a experiência dos ouvintes que acompanhavam a partida pela rádio.

As chuteiras originais de Pelé, de 1959. Fotografias e artefactos de arquivo serviram de base para todas as cenas geradas por IA, garantindo a precisão histórica em todo o filme.

As chuteiras originais de Pelé, de 1959. Fotografias e artefactos de arquivo serviram de base para todas as cenas geradas por IA, garantindo a precisão histórica em todo o filme.

Equilibrar o fotorrealismo com o controlo do desempenho

Embora os modelos generativos se destaquem no fotorrealismo, a coreografia atlética extrema de uma lenda como Pelé apresenta um desafio único. Para o resolver utilizámos o Performance Control (Controlo de Desempenho) — uma abordagem baseada no Veo 3 que extrai a geometria 3D e o movimento precisos de um duplo moderno para orientar a geração do vídeo. Ao combinar isto com fluxos de trabalho complementares que usam o Nano Banana Pro e o Gemini Omni, gerámos um vídeo final que reúne na perfeição a arquitetura do estádio, as condições do campo, a fisionomia de Pelé e a dinâmica da jogada.

Partindo do vídeo original em live-action (canto superior esquerdo), dividimos a cena em camadas separadas e editáveis. Captámos o movimento 3D exato dos atletas (canto superior direito), isolámo-los do cenário (canto inferior esquerdo) e gerámos um fundo limpo sem eles (canto inferior direito). Isto permite-nos modificar os jogadores e o ambiente de forma independente.

Para agilizar a edição, os efeitos visuais e a geração de vídeo, o Gemini Omni e o Veo isolaram as filmagens dos atores, extraíram o fundo e geraram representações em malha azul 3D dos movimentos dos jogadores.

O Performance Control cria renderizações editáveis ​​em malha azul 3D a partir de um vídeo de entrada, que podem ser modificadas utilizando imagens de referência.

Criar um processo híbrido de pós-produção

Para o acabamento final, criámos um processo híbrido que combinou a geração por IA com os efeitos visuais (VFX) tradicionais. Utilizando ferramentas internas personalizadas, refinámos ainda mais os planos gerados por IA com o Gemini Omni e o Nano Banana Pro, recorrendo a imagens de arquivo para garantir o rigor de cada detalhe. O fluxo de trabalho passou depois para os VFX tradicionais para tarefas como a composição da bola, a integração de grão e um equilíbrio de cor rigoroso. Para um toque final de autenticidade, passámos o resultado digital por uma máquina de gravação em película (filmout), capturando a estética e a textura únicas do cinema dos anos 50.

Tornar o invisível visível

Nada pode substituir a experiência dos adeptos que estiveram presentes ao vivo, mas esperamos que este projeto dê uma nova vida a um momento icónico na história do futebol.

A reconstrução deste golo está agora orgulhosamente em exibição no Museu Pelé, em Santos

Museu Pelé, Santos SP, Brasil

Museu Pelé, Santos SP, Brasil