De semanas a horas: como a Faculdade de Medicina da USP transformou a criação de simulados com o Gemini Notebook

15 Out, 2026

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Rodrigo Pimentel

Head of Google for Education, LATAM


No Brasil, tornar-se médico especialista exige muito mais do que concluir uma graduação de seis anos. Depois de se formar, os estudantes precisam passar pela prova de residência médica, uma das avaliações mais exigentes do sistema educacional do país. O volume de conteúdo, a profundidade do raciocínio clínico exigido e a pressão do processo seletivo deixam muitos estudantes com a sensação de despreparo, mesmo após anos de formação rigorosa. Essa pressão é particularmente intensa no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP), o maior hospital público do Brasil e uma instituição de referência em toda a América Latina, onde mais de 9.000 candidatos disputam menos de 380 vagas de residência.

Para preparar melhor seus alunos, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) decidiu aumentar significativamente o número de simulados oferecidos a cada ano. Mais oportunidades de prática significavam que os estudantes poderiam ganhar confiança, identificar lacunas de conhecimento e chegar à prova real mais bem preparados. Mas desenvolver avaliações de alta qualidade, com o nível de dificuldade e rigor que a prova exige, não é tarefa fácil. Cada simulado exige centenas de horas de professores de medicina altamente especializados para a produção das questões, dificultando a oferta de mais provas simuladas por ano.

Da confiança institucional à inovação pedagógica

A FMUSP vinha buscando uma maneira de produzir mais provas simuladas de alta qualidade, ao longo do ano, e encontrou a resposta dentro de uma parceria construída ao longo de mais de uma década. Desde 2014, a instituição utiliza o Google Workspace for Education em todos os seus programas de graduação. Essa base de confiança foi o que a levou a escolher o Gemini Notebook como a solução capaz de, finalmente, oferecer aos estudantes as oportunidades de prática de que precisavam, sem sobrecarregar o corpo docente no processo. A ferramenta opera em um ambiente fechado, gerando respostas exclusivamente a partir de fontes definidas pelo usuário. Ela não extrai informações da internet nem produz conteúdo com base em dados externos, o que mantém os materiais proprietários da faculdade dentro de seus próprios domínios. Para uma instituição como a FMUSP, essa combinação de segurança e confiabilidade foi decisiva.

A equipe responsável pela elaboração de provas simuladas alimenta a ferramenta com materiais didáticos cuidadosamente selecionados: protocolos clínicos do hospital, diretrizes de sociedades médicas brasileiras e internacionais, palestras do corpo docente e provas anteriores. Também definem uma rubrica detalhada do que caracteriza uma boa questão, com base no histórico psicométrico da própria prova de residência do Hospital das Clínicas.

Matheus Torsani, Chefe da Divisão Acadêmica e Diretor do Centro de IA da FMUSP

Matheus Torsani, Chefe da Divisão Acadêmica e Diretor do Centro de IA da FMUSP

O Google NotebookLM gera dezenas de questões, que são então validadas por médicos especialistas, uma etapa que a universidade considera essencial. O resultado é um exame que combina tecnologia avançada com a participação e a supervisão indispensável de professores especializados, aprimorando o processo de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, preservando o rigor acadêmico e técnico. A tecnologia trabalhando em parceria com o corpo acadêmico.

O impacto no tempo docente foi imediato e significativo. Um processo que antes levava mais de duas semanas, com centenas de horas de um corpo docente altamente especializado , agora pode ser concluído em menos de dez horas, gerando uma economia de horas e também de custos – mais de R$ 200.000 reais por exame simulado.

Iolanda Calvo Tibério, Coordenadora da Comissão de Graduação da FMUSP

Iolanda Calvo Tibério, Coordenadora da Comissão de Graduação da FMUSP

A magnitude do que essa economia de tempo tornou possível é significativa. O resultado direto foi um aumento no número de exames simulados oferecidos aos alunos nos anos clínicos, os dois últimos anos do curso de medicina. Em 2024, foram realizados seis simulados; em 2025, sete; e em 2026, oito para o sexto ano e seis para o quinto ano. Os alunos que antes tinham duas chances de praticar agora contam com até oito oportunidades a mais para desenvolver a confiança e o raciocínio clínico que a prova de residência exige.

Mas o impacto vai além dos números. Ao otimizar a elaboração das questões, os preceptores especialistas que acompanham os estudantes em seus estágios clínicos, recuperam tempo para se dedicar justamente a isso.

Com o número de vagas de residência inalterado e a concorrência se intensificando a cada ano, a FMUSP voltou seu foco para o que estava em suas mãos: o nível de preparo de seus estudantes para competir por essas vagas.

Os efeitos se manifestaram rapidamente em avaliações externas. No Teste de Progresso, aplicado por um consórcio de faculdades públicas do estado de São Paulo, os alunos da FMUSP alcançaram o melhor desempenho médio entre todas as instituições participantes. Na prova nacional de proficiência realizada no final do sexto ano, a Universidade de São Paulo ficou em primeiro lugar, com a FMUSP liderando os resultados internamente.

E o impacto foi além dos simulados. Os estudantes da FMUSP hoje usam o Gemini for Education e o Google NotebookLM como parte natural de sua rotina de estudos: gerando resumos e flashcards a partir dos materiais dos professores, usando o Deep Research para se aprofundar em temas clínicos complexos e criando questões de prática para suas próprias avaliações. Para esses estudantes, a IA é um recurso disponível a qualquer hora.

Da experiência ao modelo: a FMUSP lidera o caminho

Atualmente, a FMUSP está integrando a inteligência artificial para contribuir em todas as suas atividades: como ferramenta de gestão para agilizar processos administrativos, como tutor sempre disponível para o aprendizado diário de cada estudante e como apoio aos professores em suas atividades de ensino e pesquisa. Para sustentar esse avanço, a faculdade criou seu próprio Centro de Inteligência Artificial, adquiriu 100 licenças do Google AI Pro for Education e planeja estender o modelo de avaliação assistida por IA do primeiro ao quarto ano do curso.

Beatriz Pires, aluna do terceiro ano da FMUSP

Beatriz Pires, aluna do terceiro ano da FMUSP

Essa trajetória posicionou a FMUSP como referência nacional no uso da IA no ensino médico, e outras faculdades de medicina do Brasil passaram a considerar sua experiência como um modelo a ser replicado. Uma liderança que o Google reconheceu ao designar a Universidade de São Paulo como Instituição de Referência do Gemini for Education, uma distinção que reflete não apenas a adoção da tecnologia, mas sua aplicação estratégica em áreas críticas como a medicina.

Para Matheus Torsani, chefe da Divisão Acadêmica e diretor do Centro de IA da FMUSP, essa trajetória demonstra que adotar a IA de forma crítica e estruturada, com parcerias sólidas, materiais confiáveis e validação humana em cada etapa, é o caminho para ampliar o conhecimento construído ao longo de décadas de excelência no ensino e na pesquisa, e para preparar a próxima geração de médicos que o Brasil precisa.

Uma nova era para o ensino superior na América Latina

Os estudantes que enfrentarão os próximos grandes desafios científicos e sociais da região merecem ferramentas à altura desses desafios. A universidade é um ecossistema complexo, com faculdades que apresentam necessidades diversas, culturas acadêmicas profundamente enraizadas e processos de tomada de decisão que não acontecem da noite para o dia.

Por isso, a mudança da discussão teórica para a vantagem operacional e acadêmica real não deve ser subestimada. Processos que antes levavam meses agora podem ser concluídos em dias. Fluxos de trabalho que consumiam semanas agora se resolvem em horas. E ferramentas como o Deep Research do Gemini for Education estão ajudando a acelerar pesquisas estratégicas, ao mesmo tempo em que fortalecem a expertise do corpo docente e a reputação institucional. Apoiar essa transformação com ferramentas confiáveis e parcerias de longo prazo é o compromisso do Google for Education com o ensino superior na América Latina.