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Blog do Google Brasil
Acessibilidade

Como construímos com e para pessoas com deficiência

ilustração com ferramentas de acessibilidade

Nota do editor: Hoje é o Dia Mundial da Conscientização sobre Acessibilidade. Também estamos compartilhando como estamos tornando a educação mais acessível e lançando um novo recurso de acessibilidade do Android.

Nos últimos nove anos, tenho trabalhado na criação de produtos acessíveis e no apoio a Googlers com deficiência. Ao longo dessa jornada, pude constatar inúmeras vezes a amplitude e a diversidade da comunidade de pessoas com deficiência (PCD), e a importância de continuar trabalhando com elas para criar tecnologias e soluções que sejam úteis de verdade.

Antes de falar sobre alguns recursos de acessibilidade desenvolvidos pela equipe do Google, eu queria contar sobre o trabalho que fazemos para ser cada vez mais inclusivos em relação a pessoas com deficiência, criando ferramentas mais acessíveis como um todo.

“Nada que se refere a nós deve ser feito sem a nossa participação”

A frase acima é dita com frequência pela comunidade de pessoas com deficiência: “nada que se refere a nós deve ser feito sem a nossa participação”. Para mim, essa ideia resume o verdadeiro significado da inclusão de PCDs. Os obstáculos enfrentados por essas pessoas na sociedade variam muito – depende de quem estamos falando, de onde cada um vive e dos recursos aos quais cada um tem acesso. Não existe uma experiência universal. Por isso, é fundamental incluir uma ampla gama de PCDs em todas as etapas do processo de desenvolvimento de qualquer produto, iniciativa ou programa de acessibilidade do Google.

Temos de garantir que nossas equipes espelhem as pessoas para quem trabalhamos. Por isso, no ano passado lançamos umsite de contratação voltado para pessoas com deficiência. O site inclui o Programa de Carreiras para Pessoas com Autismo, que pretende ampliar e reforçar nossa comunidade de colaboradores nessa situação. Recentemente, ajudamos a lançar o Neurodiversity Career Connector ao lado de outras empresas, com a finalidade de criar um portal de vagas para conectar candidatos e candidatas neuro-diversos a organizações comprometidas com políticas mais inclusivas de contratação.

Para além da comunidade interna do Google, temos também de estabelecer parcerias com grupos externos, de modo a aprender o que é realmente útil e importante para diferentes populações – e depois aplicar essas informações ao aprimoramento de produtos existentes ou à criação de novos. Essas parcerias resultaram no Project Relate, ferramenta de comunicação para pessoas com dificuldade de fala; no desenvolvimento de um TalkBack totalmente novo – um leitor de tela embutido no sistema Android; e no aprimoramento do Select-to-Speak, ferramenta do Chromebook que permite ao usuário escutar, numa leitura em voz alta, textos selecionados e exibidos na tela.

Experiências equitativas para todas e todos

Estar perto e escutar essas comunidades, quer estejam dentro ou fora do Google, permite criar ferramentas e recursos como os que estamos apresentando hoje.

A possibilidade de acrescentar diretamente um texto alternativo (uma breve descrição, falada em voz alta por um leitor de tela, das imagens que aparecem na tela) a imagens enviadas por Gmail começa a ser lançada hoje. Graças a essa novidade, pessoas que usam leitores de tela vão saber o que estão recebendo, seja um GIF comemorando a chegada da sexta-feira ou uma foto de tela de um gráfico importante.

Ferramentas de comunicação inclusivas para todos e todas são especialmente importantes, uma vez que profissionais das mais diversas áreas passaram do mundo com reuniões presenciais para reuniões totalmente virtuais ou híbridas. Como sempre, esse tipo de mudança é vivido de forma diferente por diferentes indivíduos. Pessoas surdas ou com deficiência auditiva têm afirmado que essa transição facilita na hora de identificar quem está falando – algo que pode ser mais difícil em encontros presenciais. Por outro lado, no caso de pessoas que usam alguma língua de sinais, temos ouvido que nas reuniões virtuais pode ser difícil enxergar, ao mesmo tempo, tanto o intérprete quanto o orador que está falando.

O novo recurso Multi-pin do Google Meet ajuda a resolver isso. Agora já é possível botar um “pin” (ou fixar na tela) mais de uma janelinha durante uma reunião por vídeo – como, por exemplo, a imagem da pessoa que está fazendo a apresentação e também a imagem do intérprete. À semelhança de outros recursos de acessibilidade, a utilidade desta novidade vai além das PCDs. Da próxima vez que alguém estiver assistindo a um painel de debates e queira fixar várias pessoas na tela de uma vez só, poderá fazer isso graças ao Multi-pin.

Temos trabalhado com afinco também para deixar conteúdo em vídeo mais acessível para pessoas cegas ou com baixa visão, graças ao recurso de audiodescrição – que descreve, de forma verbal, as imagens que aparecem na tela. Todos os vídeos em inglês do YouTube Originals de 2021 – e todos de agora em diante – terão audiodescrição em inglês disponível globalmente. Para ligar a audiodescrição, basta clicar em “Configurações” na parte inferior direita do tocador de vídeo, selecionar “Audio track” (faixa de áudio) e escolher “English descriptive” (descrição em inglês).

Para muitas pessoas com problemas de fala, ser compreendido pela tecnologia que alimenta ferramentas como digitação por voz ou assistentes virtuais pode ser difícil. Em 2019, começamos a trabalhar para mudar isso por meio do Projeto Euphonia, uma iniciativa de pesquisa que trabalha com organizações comunitárias e pessoas com deficiência de fala para criar modelos de reconhecimento de fala mais inclusivos. Hoje, estamos expandindo a pesquisa do Projeto Euphonia para incluir mais quatro idiomas: francês, hindi, japonês e espanhol. Com essa expansão, podemos criar tecnologias ainda mais úteis para mais pessoas, não importa onde estejam ou que idioma falem.

Ao longo desse tempo trabalhando na área, aprendi muita coisa. Uma delas é a importância fundamental de desenvolver soluções ao lado das próprias pessoas que irão usar os recursos que criamos. Seguiremos fazendo isso nessa jornada para deixar os mundos físico e digital mais inclusivos e acessíveis.