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Blog do Google Brasil
Busca

Perguntas e respostas com Danny Sullivan: 25 anos acompanhando a Busca

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Danny Sullivan: porta-voz da Busca do Google

Danny Sullivan é o porta-voz do Google para a Busca. Isso significa que ele é responsável por explicar ao mundo as engrenagens da Busca e também por explicar às pessoas que trabalham no Google que o o mundo diz sobre ela. Num dia normal, Danny pode ser visto respondendo perguntas no Twitter, fazendo uma apresentação em algum evento ou respondendo a sugestões dadas pela internet. Também é possível encontrá-lo na convenção Star Trek para fãs de Jornada nas Estrelas. Mas isso é papo para outra hora.

Antes de se tornar porta-voz da Busca, em 2017, ele já acompanhava o universo dos mecanismos de pesquisa há mais de vinte anos, e era um dos maiores especialistas no tema. Na verdade, há 25 anos Danny lançou uma das primeiras publicações online sobre marketing de mecanismos de busca. Para celebrar esse marco importante, conversamos com Danny sobre a evolução da pesquisa na internet ao longo dos anos, tanto dentro quanto fora do Google.

Como surgiu seu interesse pela tecnologia de busca?

Nos tempos de faculdade, eu me divertia usando o sistema de pesquisa da biblioteca, chamado Melvyl, para procurar todos os livros que continham palavras como “história” ou “ciência”. Mas as pesquisas sempre travavam, porque havia resultados demais. Na época, porém, a possibilidade de encontrar livros digitalmente, sem ter de folhear um catálogo de fichas, era sensacional. Mais tarde, já como jornalista, criei pesquisas sofisticadas no LexisNexis para encontrar reportagens antigas. Dava um trabalhão, mas mesmo assim era muito legal perceber como a tecnologia facilitava essa busca por material útil.

Quando a internet e os primeiros mecanismos de pesquisa chegaram, eu continuava fascinado pelo assunto. Àquela altura, entretanto, já era possível encontrar conteúdo em qualquer lugar do mundo e obter resultados em questão de segundos, sem precisar de comandos formais de pesquisa. Aquilo me deixou de queixo caído, e nunca perdi essa sensação de maravilhamento. Até hoje me impressiono com a busca e a capacidade que ela oferece, a qualquer pessoa, de encontrar informações rapidamente sobre qualquer assunto que a gente possa imaginar.

Na sua opinião, o que mudou ao longo do tempo na percepção que as pessoas têm da busca?

Na década de 1990, eu dava aulas sobre mecanismos de pesquisa. E nem sempre esses mecanismos eram capazes de usar buscas feitas na linguagem natural das pessoas. Com frequência, quem aprendia comandos especiais para fazer pesquisas chegava a resultados melhores. Muitas vezes as pessoas achavam que a culpa era delas, e não do mecanismo, quando não conseguiam encontrar o que estavam procurando.

Hoje, por outro lado, parece que as pessoas nascem sabendo pesquisar na internet. Basta digitar numa caixinha mágica o que a gente está procurando e pronto! Os resultados aparecem. Ninguém precisa fazer aulas para entender como funciona. Também acho que as pessoas não se culpam mais quando não encontram o que estão buscando. Talvez todos os avanços na busca tenham causado essa mudança na percepção dos usuários. Atualmente, é tão mais fácil encontrar o que a gente procura que as pessoas têm expectativas bem mais altas – o que é compreensível.

Às vezes os usuários esquecem de todas as ocasiões em que o Google mostrou exatamente o que cada um estava buscando. Mas sempre percebem os pontos fora da curva, os momentos em que a gente não acerta. Aqui no Google, porém, a gente acha isso positivo. É um indício de que construímos e merecemos essa fama de mostrar o que as pessoas procuram. É esse o nosso trabalho.

O que você gostaria que mais gente soubesse sobre a Busca do Google?

Eu acho que a maioria das pessoas não se dá conta do imenso trabalho de bastidores necessário para melhorar a Busca constantemente. Ao longo do ano, fazemos milhares de melhorias à Busca – só em 2021, foram mais de cinco mil.

Quando decidimos realizar uma mudança, ela é cuidadosamente avaliada por meio de feedback quantitativo, a partir de experiências em tempo real, e por feedback qualitativo vindo de nossos revisores humanos. Se tudo estiver funcionando direitinho, a mudança é então adotada. Um exemplo: hoje estamos atualizando nossa forma de classificar as opiniões sobre produtos na Busca, com o objetivo de priorizar conteúdo aprofundado e escrito em primeira pessoa.

No ano passado, realizamos mais de 800 mil experiências e testes contínuos de qualidade, para garantir que os resultados mostrados e as mudanças adotadas realmente deixem a Busca ainda mais útil para as pessoas. Estamos bem seguros de que esse processo funciona. Ao longo dos últimos sete anos, nossas métricas internas baseadas nos dados do classificador de qualidade mostram que reduzimos em mais de 50% o número de resultados irrelevantes.

Como a Busca do Google evoluiu ao longo dos anos?

A Busca evoluiu junto com a internet e com o jeito que as pessoas acessam a pesquisa. Hoje, temos mais tipos de informação – desde realidade aumentada (RA) a imagens e vídeos – e mais recursos para ajudar as pessoas a encontrar o que procuram, nos formatos visuais interessantes de que elas gostam.

Apresentamos até mais formas de pesquisar – como fazer buscas visualmente, usando o Google Lens. Outro dia eu estava fazendo uma caminhada e vi um inseto pousado numa flor. Apontei o Lens para a flor e ele logo identificou que tipo de abelha era aquela. Há alguns anos, quando a Busca estava começando, eu jamais teria imaginado que um dia isso seria possível.

Uma forma menos óbvia de evolução da Busca é a capacidade de entender o que as pessoas estão procurando. Em 2019, lançamos o BERT, um recurso de classificação que usa redes neurais e consegue compreender ainda melhor a linguagem natural usada pelos usuários – além de entender também pesquisas mais longas digitadas na caixa. É interessante perceber que, assim como o uso de inteligência artificial para melhorar a compreensão da linguagem evoluiu ao longo dos anos, as pesquisas que as pessoas fazem na Busca também avançaram. Desde 2015, observamos um aumento de mais de 60% em pesquisas feitas na Busca usando linguagem natural. Isso significa que as pessoas podem encontrar de forma mais simples o que procuram, usando uma linguagem mais próxima da nossa forma normal de escrever e falar.

O que vem por aí para a Busca?

Nossa profunda compreensão das informações e do mundo que nos rodeiam – possibilitada por avanços em inteligência artificial – permite reimaginar o significado da palavra “buscar”. Em breve será possível pesquisar simultaneamente com imagens e texto usando o Google Lens, num recurso que vai ajudar a entender o mundo físico e a fazer perguntas sobre o que a gente está vendo, de um jeito ainda mais intuitivo.

Também estou super animado com as maneiras de ajudar pessoas que fazem perguntas sem uma única resposta correta. O Google é ótimo na hora de responder a perguntas simples, mas também queremos ajudar usuários interessados em percorrer temas que não conhecem muito bem, ou assuntos por onde eles às vezes nem sabe como começar.

Depois de mais de duas décadas pensando na Busca, o que me deixa mais animado é o fato de que esse desafio nunca chega ao fim. Estamos apenas no início da jornada do Google para que a informação seja cada vez mais acessível e útil.