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Blog do Google Brasil

Reconexão com a História: Empreendedores do Black Founders Fund visitam o Quilombo do Cafundó

visita ao quilombo

Desde a sua primeira edição no Brasil, em 2020, o Black Founders Fund – fundo do Google for Startups para apoiar o crescimento de empresas fundadas e/ou lideradas por pessoas negras – tem contribuído para o fomento do afroempreendedorismo brasileiro. Até o momento, nossos investimentos já contemplaram 66 startups, somando um aporte de R$ 16 milhões, que vem ajudando empreendedores a superar um dos muitos desafios enfrentados pela comunidade negra no mercado: o acesso a investimentos.

Essas não são as únicas dificuldades vividas por pessoas negras que têm sonhos, ideias e talento para inovar. Por exemplo, um estudo encomendado pelo Google à Offerwise em 2022 mostrou que para a grande maioria deles (92%), empreender foi uma forma de enfrentar o racismo, já que essas situações foram importantes para a decisão de começar o próprio negócio.

Com o objetivo de fortalecer a jornada de afroempreendedores brasileiros, convidamos 23 fundadores apoiados pelo Black Founders Fund a participar de uma experiência imersiva no Quilombo do Cafundó, para compreensão da história e da cultura da comunidade negra no Brasil. Fundado em 1888, quando um casal de ex-escravos herdaram as terras após a morte do antigo senhor da fazenda, o espaço hoje abriga 150 pessoas, que vivem e trabalham no local.

Compartilhamos abaixo o relato de alguns dos fundadores que participaram dessa experiência de resgate histórico e da resistência do quilombo.

Karen Santos, fundadora da UX Para Minas Pretas: “Saí de lá com uma reflexão sobre o meu papel no mundo”

karen santos

Nunca havia visitado um quilombo antes. Apesar do meu envolvimento com a causa preta, é possível que, sem essa oportunidade, ou fosse levar um bom tempo para visitar um quilombo, ou até nunca chegasse a conhecer um.

Tudo é muito parecido com o que acontece hoje, e isso me fez pensar que poderia ser a história da minha mãe, minha avó ou bisavó. Saí de lá com uma reflexão sobre o meu papel no mundo e a contribuição da minha startup, UX para Minas Pretas, para que outras mulheres com a mesma origem e igualmente vítimas daquilo que nos foi negado e roubado possam ter o protagonismo que merecem e acesso a mais oportunidades. Porém, ficou claro que ainda existem muitos resquícios daquela época, e seguimos em uma luta por território e pertencimento.

Giorge Azevedo, fundador da Intreguei: “Para mim, ser disruptivo é o que ele fez ali”

giorge

Eu estou no meu terceiro negócio e posso dizer que tenho uma carreira de sucesso no mundo corporativo. Apesar de ter quebrado a cara muitas vezes, me reergui e me mantive resiliente, assim como o povo do quilombo, que retomou parte de suas terras e começou a inovar e empreender mesmo sem uma formação tradicional e recursos.

Nessa visita aprendi como os mais velhos do quilombo transformaram a forma de produção que vinham seguindo há muitos anos para colher mais por meio da inovação; Isso me fez pensar que aquilo é uma disrupção enorme - para mim mais impressionante até que o surgimento dos aplicativos de transportes e mobilidade.

Empreender é um desafio para qualquer um e exige muito esforço, especialmente quando você tem uma origem que nada lhe favorece. A coisa que mais me deixa feliz é ver as pessoas empreendendo e conseguindo mudar de vida. Quando você mostra resultado, você se torna inquestionável.

Denise Oliveira, CEO e fundadora da Fitinsur: “Tive que me despersonalizar, apagar quem eu era para ser aceita”

denise

Essa experiência fez eu me reconectar com toda a minha ancestralidade e negritude. Apesar de ter tido sucesso na minha carreira, na qual pude crescer até me tornar diretora de uma multinacional, sempre recebi comentários indiretos sobre meu cabelo, porte físico e gostos musicais. Com o tempo, tive que me despersonalizar, apagar quem eu era para ser aceita. É um processo doloroso, que fere a alma.

Durante a visita, tive um sentimento de pertencimento e conheci um lado da história que não temos acesso nas escolas. Entendi as dores de uma comunidade que ainda vive e resiste. Isso me faz pensar na necessidade de quebrarmos a narrativa, trazendo nossas múltiplas vivências para nossos espaços de trabalho.

Hoje, 75% da minha equipe de liderança é composta por grupos minoritários. Desde o início de minha trajetória empreendedora, assumi a diversidade como um valor inegociável, não apenas por considerá-la justa, mas como meio de enriquecer nossas perspectivas e abordagens diante dos desafios. Este compromisso reflete minha convicção na importância de abrir espaços para vozes diversas, garantindo oportunidades equitativas e fomentando um ambiente onde visões diferentes contribuem para soluções inovadoras.

O que levamos de aprendizado

Esta experiência demonstra o poder da reconexão com nossas raízes e a importância de entendermos de onde viemos para construir um futuro mais inclusivo e representativo.

O compromisso do Google for Startups com o apoio a empreendedores negros vai além do aspecto financeiro; é uma aposta na capacidade transformadora que esses indivíduos e suas empresas trazem para o mercado e para a sociedade. Ao promover encontros como o realizado no Quilombo do Cafundó, estamos fortalecendo laços comunitários, valorizando saberes ancestrais e promovendo uma inovação que é verdadeiramente disruptiva, porque nasce da diversidade e da inclusão. Estas são as histórias que precisam ser contadas e amplificadas, para que possamos, juntos, construir um ecossistema empreendedor mais representativo, que celebre e inclua todas as vozes.