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Blog do Google Brasil
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Mulheres do Google Brasil: conheça Carla Torres, executiva de vendas no Google Brasil

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Com o intuito de celebrar e exaltar algumas das mulheres que fazem a diferença no Google Brasil, damos início a uma série de entrevistas com as profissionais que trabalham em diversas áreas da companhia, em que elas falam sobre carreira, representatividade no mercado de trabalho e paixões. Nesse post, você conhecerá mais sobre a Carla Torres, executiva de vendas do Google Brasil. Ela é formada em publicidade e propaganda pela Universidade Mackenzie, pós-graduada em Gestão de Vendas e Negociação pela FAAP e tem experiência de mais de 15 anos no mercado em grandes empresas e agências.

No Google, Carla atuou como executiva no time global gerenciando as iniciativas da América Latina para a P&G, participou do programa de Novos Negócios para agências parceiras no time de aquisição e hoje promove o crescimento e o amadurecimento digital dos clientes de Mid Market no Brasil no papel de Executiva de contas.

Carla diz que tem paixão por vendas consultivas, o que resultou em diversos cases de vários segmentos, desde Utilities, Varejo, Indústrias a Provedores de Serviços, sempre liderando projetos baseados em dados para marcas. É facilitadora do projeto #IamRemarkable e das iniciativas de Outubro Rosa coordenadas pelo comitê Women@google, comitê interno de mulheres do Google Brasil.

Fora do trabalho, Carla é mãe do Arthur, da Luísa e esposa do Ricardo, além de amar vinho, café e bolsas.

Carla no campo

Como você descreveria seu trabalho no Google para uma criança?

Eu adoro quando surge a pergunta clássica nas rodas de amigos, principalmente quando ela vem de uma criança: "O que você faz no Google?". Costumo responder o seguinte: “Olha, eu vendo todos aqueles anúncios que vocês pulam. [e costumo continuar falando o seguinte] E agora que a gente se conhece, você faz o favor de não pular mais? Assim eu vou poder fazer mais passeios legais como este.”

Outro dia um amiguinho do meu filho veio brincar em casa à tarde e eu escutei uma conversa no quarto ao lado. Um falava para o outro:

-“Mas é sério que sua mãe trabalha no Google?”

- “É sim, é muito legal lá! Mas nem pergunte isso pra ela senão você vai precisar assistir propaganda no YouTube.”

Nos conte sobre um projeto do qual você se orgulha.

Case bom é aquele que tem um impacto real, resolve problemas reais, além de ajudar todas as pontas envolvidas: clientes, a empresa que você trabalha e a sociedade como um todo. Eu acredito que foi isso que fizemos juntos com um cliente de SAAS (software as a service) para restaurantes em meio a pandemia.

Em meio a Pandemia do Covid-19, muitos restaurantes fechados precisavam de ajuda para migrar seu modelo de negócios para Delivery e gerar pedidos virtualmente sem nunca terem experimentado plataformas digitais para divulgar suas ofertas e organizar o fluxo de entregas. Eu não atendia os pequenos restaurantes na estrutura que trabalho no Google, mas um cliente sim: A Consumer. Como um provedor de SAAS, o seu negócio era justamente ajudar restaurantes a migrar para o mundo de pedidos virtuais evitando fecharem suas portas por conta do lockdown.

O que eu fiz? Orquestrei com outras áreas da companhia um projeto especial. Através de um time de parcerias e canais estratégicos desenvolvemos uma integração da plataforma da Consumer com o Google Ads o que permitiu a divulgação em escala dos restaurantes através de mídia de performance.

Com isso ajudamos consumidores a encontrar restaurantes para delivery através dos anúncios de mídia paga, ajudamos os donos dos restaurantes a gerar mais pedidos e a divulgar suas marcas, ajudamos a Consumer a crescer sua base de clientes, funcionários e elevar o nível de serviços prestados até então. Por fim, ajudei o Google a atrair novos anunciantes para o mundo digital.

Nossa carreira é feita de altos e baixos. Você pode contar um momento difícil e como fez para seguir em frente?

O meu primeiro ano de Google caberia em cinco anos. E tenho muito orgulho de ter passado por tudo com muita força e resiliência. Vou explicar.

  • Me preparei para o processo seletivo dos meus sonhos;
  • Comemorei a conquista de um novo emprego e mergulhei de cabeça no desafio que assumi (amei a vaga, o desafio e o time);
  • Já no segundo trimestre mudei de equipe em função de uma reorganização interna.
  • Tive quatro gestores e quatro pares diferentes em menos de um ano;
  • Recebi uma carteira de clientes totalmente nova para diagnosticar e gerenciar em tempos de crise global;
  • No mesmo período, passei por um tratamento pesado para curar um câncer, passei por cirurgias, quimioterapia e radioterapia - sem tirar licenças;
  • Tudo isso no contexto da Pandemia de COVID-19, trabalhando em casa, tendo dois filhos com idades bem distintas (um bebê e um estudante em pleno homeschooling), além da rotina doméstica para gerenciar.

Pronto! Pareceu uma vida, mas foi apenas um ano de muitas conquistas. Que privilégio!

As habilidades que conquistei nesse período acelerado me tornaram mais forte e madura. Um curso intensivo de resiliência e superação. Foi transformador ao ponto de me colocar em um novo patamar. Uma profissional muito mais completa e um ser humano que certamente evoluiu. E este passou a ser meu propósito desde então: fazer hoje, pois amanhã é incerto.

Carla com a familia

Carla com o marido e filhos

O que as pessoas ficariam surpresas ao aprenderem sobre você?

Acho que pouca gente conhece meus outros sotaques. Sou carioca, mas morei muitos anos no Rio Grande do Sul e fiz intercâmbio no interior dos EUA, antes de criar raízes em Sampa. Se você me deixar mais de cinco minutos falando com um amigo de Porto Alegre, do Tennessee ou do Rio provavelmente eu vou começar a falar com um sotaque local. Bah!

Ainda precisamos abrir muitas portas para as próximas gerações de mulheres. Você já foi a primeira de muitas, seja no trabalho ou em outro projeto de vida?

Em vez de falar de algo em que fui protagonista (única, ou a primeira de muitas) para inspirar outras mulheres através da minha história, prefiro falar de um fato que aconteceu comigo e que faz parte da história de 50% das mulheres em até dois anos de retorno da licença maternidade: a demissão.

Minha história é inspiradora pois, depois desse momento difícil, consegui transformar o rumo da minha carreira e conquistar o meu trabalho dos sonhos. Foi assim: eu trabalhava na área de vendas de uma empresa B2B e particularmente estava entregando resultados bem superiores a minha meta.

Eu já estava me preparando para sair em licença maternidade quando precisei acelerar o processo, pois minha filha chegou prematuramente. Passei todo período da licença sem nenhum sinal de que havia algo errado para o meu retorno. Como esta era a minha segunda gestação, confesso que estava ansiosa para retornar ao trabalho cinco meses depois do nascimento da minha filha. Eu tinha montado toda uma rede de apoio para que isso acontecesse e estava com saudades de pensar em assuntos não domésticos. Para a minha surpresa, no dia em que voltei ao trabalho fui demitida [Fiquei sem chão. Depois dos números que eu entreguei? Achei que logo poderia ser promovida. Fui demitida?] E ainda tive que ouvir que eu ficaria bem, pois teria mais tempo para cuidar da minha bebê.

Poucos meses depois, conversando com uma amiga de longa data [que estava grávida] fui convidada a participar de um processo seletivo para cobrir a licença maternidade dela através de uma empresa terceirizada. Ela trabalha no Google há 10 anos e eu já tinha tentado outras vezes aplicar para vagas com a indicação dela. Mas desta vez tinha algo diferente. Parecia o melhor motivo para conquistar essa vaga: uma licença maternidade! Eu logo pensei que se eu fizesse diferente e cuidasse muito bem do lugar dela eu estaria ajudando alguém a não passar pelo o que eu passei. Eu queria que ela voltasse tranquila e com tudo em ordem.

E assim aconteceu. Foi lindo! Uma experiência transformadora! Por muitos anos na minha carreira não me senti tão desafiada e ao mesmo tempo tão apoiada por recursos internos e colegas. Meses depois, e já apaixonada pelos valores, o time e a potência que é trabalhar num lugar como o Google [onde sinto que fazemos história diariamente] minha amiga voltou da sua licença. Eu também consegui conquistar uma vaga como Googler! E desde então sigo confiante em estar em um ambiente seguro para me desenvolver.

Sei que infelizmente nem todas as mulheres que são demitidas após terem filhos têm histórias de superação como esta. O mundo corporativo pode ser mesmo muito preconceituoso e injusto com as mães. Então precisamos falar sobre essa realidade e tentar mudar. Abrir portas, contratar grávidas, promover vagas meio período e ter empatia com aquelas que estão voltando de suas licenças.

Se tivesse a oportunidade, que conselho você daria a si mesma no início de sua carreira?

Se colocar em um lugar de destaque ajuda, não apenas você a crescer na carreira, mas a inspirar outras mulheres. Falar sobre fatos e coisas incríveis que você fez, ou sobre suas habilidades não é contar vantagem, é necessário! Ninguém vai saber o quanto você contribuiu para que algo extraordinário acontecesse se você não contar. Nós mulheres precisamos bater palmas para outras mulheres que se levantam, fazem e falam sobre. Precisamos inspirar as novas gerações e acabar com a cultura de que os homens são os verdadeiros protagonistas. Eu já me apresentei a clientes do segmento de energia assim: " Oi, eu sou sua nova gerente, sei que vocês eram atendidos pelo fulano de tal que já está nesse mercado há anos, mas mesmo sendo minha primeira vez nesse segmento, eu sou casada com um engenheiro e tenho certeza que vou aprender e vamos nos dar muito bem." [tudo, tudo errado Carla!]

Hoje, quando me sinto despreparada ou desconheço um assunto específico, eu tento pensar o seguinte: mas como eu cheguei até aqui? Fui contratada por algum motivo, então sou capaz de entregar mais essa. Em vez de focar nas fraquezas, onde posso usar minhas fortalezas e soft skills nessa situação?

Recomendo oworkshop #IAMRemarkable para acelerar essa mudança de chave: falar das suas conquistas!

Diga o nome de uma mulher que merece uma busca no Google para conhecermos mais sobre ela.

Lisiane Lemos, atualmente Gerente de Programas de Recrutamento de Diversidade, Equidade e Inclusão para América Latina é advogada e especialista em transformação digital, atualmente é conselheira de startups, conselheira emérita do Capitalismo Consciente e foi conselheira do UNFPA/ONU. Já foi nomeada Forbes Under 30 e uma das pessoas negras mais influentes no mundo pelo MIPAD/ONU. No terceiro setor, co-fundou o Conselheira 101, Rede de Profissionais Negros e Co-liderou o Comitê de Igualdade Racial no Grupo Mulheres do Brasil. Você pode ver mais sobre o trabalho no seu TEDx sobre como promover a igualdade racial dentro das empresas.

Lisiane e Carla brindando

Lisiane e Carla brindando

Por fim, e não menos importante, Lisi se tornou minha parceira e amiga desde o dia 1 deste encontro, pois fomos contratadas na mesma data. Na verdade, desde o segundo dia, pois a primeira impressão não foi a melhor de todas (risos). Eu e Ela dividimos algumas paixões em comum como família, vinho, viagens e bolsas.